domingo, 14 de dezembro de 2008

Casa Memória Lopes-Graça

Este mês de Dezembro ficará marcado pela inauguração (13 de Dezembro) da Casa Memória Lopes-Graça em Tomar. Neste âmbito estão a realizar-se vários eventos de comemoração deste museu que dignifica a cidade e o compositor. Hoje escrevo sobre o concerto de guitarra e flauta transversal da passada sexta-feira (12 Dezembro) dos colegas Ana Carina e Duarte Lamas, realizado no Cine-Teatro Paraíso.

A 1ª parte do concerto foi dedicada a obras a solo de compositores que, por variadas razões, estiveram relacionados com a composição de Lopes-Graça: Vila-Lobos, J. S. Bach e Eurico Carrapatoso. As interpretações foram muito boas; o Duarte, mais uma vez, realizou uma grande interpretação da homenagem a Jimmy Hendrix de Carrapatoso e a Carina abrilhantou o concerto com a Allemande da Partita para Flauta BWV 1013. De Lopes-Graça foram interpretadas as obras a solo Sonatina para guitarra e Sonatina para flauta transversal. A primeira, infelizmente, não me pareceu uma composição ao nível habitual do autor; baseada em apenas três ou quatro motivos, os três andamentos da Sonatina são, na minha humilde opinião, algo pobres no desenvolvimento. Após olhar para a partitura percebi que Lopes-Graça não conseguiu tirar partido do potencial do instrumento e, em alguns momentos, a escrita parece estar mais adequada ao piano que à guitarra. No entanto, devido à forte criatividade do Duarte, a peça até acabou por ter algum interesse. Já a Sonatina para flauta é uma composição de maior qualidade e que permite ao intérprete mostrar alguns virtuosismos como o flatterzung; a Carina correspondeu com uma óptima interpretação.

A 2ª parte do concerto foi dedicada a obras de Lopes-Graça para duo de guitarra e flauta transversal. As duas obras interpretadas – das quais não me lembro do nome – são, a meu ver, menos interessantes que as obras, em geral, do compositor natural de Tomar. A primeira, composta em estilo livre e de linguagem atonal volta a ser, tal como a Sonatina para guitarra, algo pobre nos desenvolvimentos; há mesmo momentos em que apetece ouvir mais um pouco e o andamento simplesmente termina… Já a segunda obra, um conjunto de nove canções tradicionais “transformadas” por Lopes-Graça, denota um maior esforço do compositor em colocar efeitos nos dois instrumentos em comunhão com uma línguagem atonal. A junção das linguagens tradicional e atonal dão uma cor extraordinária e diferente às canções, embora estejam ainda longe das enormes capacidades de Lopes-Graça. A última obra do concerto foi o Café de Piazzolla, um dos andamentos da Histoire du Tango.

Gostaria de dar os parabéns aos colegas pelas prestações em palco. Já agora aviso que poderemos em breve ouvir este concerto na Antena 2 (vejam a programação).

Um beijinho muito especial para a Carina que se viu obrigada a fazer um esforço suplementar devido à um horrível ataque de sinusite.

ps: só duas notas muito negativas que não dizem respeito aos músicos. Em primeiro lugar considero inadmissível que um concerto pago não seja devidamente anunciado; todos os que se deslocaram ao nosso querido Cine-Teatro esperavam uma entrada gratuita pois nada em contrário havia sido referido, o que levou alguns a abandonarem as instalações depois de contestarem a situação. Dou a responsabilidade deste erro inadmissível à organização conjunta Canto Firme/C. M. Tomar. A segunda nota negativa, e completamente deplorável, deve-se à enorme falta de respeito da gestão do bar Jazzinside – localiza-se nos corredores do Cine-Teatro – que incomodou a plateia com a sua música ambiente. A situação manteve-se mesmo após os técnicos do teatro terem pedido encarecidamente para baixarem o volume. Meus amigos! Isto não só é falta de respeito como é também muito estúpido…

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