quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

É Natal!

Eu sei, ainda falta uns dias, mas assisti a uma cena bastante querida que me fez pensar: «Pois, na verdade Natal é quando o Homem quiser!»

Aconteceu em frente ao Pingo Doce do Arco do Cego, Lisboa. Eu seguia a pé, depois de ter passado no gabinete de Acção Social para tratar de assuntos da bolsa (que nunca mais me atribuem), para apanhar o 726 Sapadores. Estava com os ânimos em baixo, muito em baixo. É que aqueles tipos da Acção Social são capazes de nos deixar com vontade de deixar de estudar... Alguns de vocês sabem do que estou a falar! Mas o que eu assisti naquele momento mostrou-me que, apesar não podermos viver sem o bem mais material de todos, o dinheiro também pode ser totalmente descartável, mesmo quando precisamos dele. Estava uma velhinha sem abrigo á porta do supermercado, sentada no chão pedia esmola a todos os que saiam e entravam. Via-se na sua cara, cansada de viver na rua, que ainda não vira a sorte bater-lhe no fundo do caneco que segurava com o braço esticado. E eram 15h! As pessoas que passavam nem ligaram à velhinha.

Eis que sai de dentro do Pingo Doce um homem bastante mais novo, igualmente sem abrigo, mas com a cara bastante envelhecida. «Não tardará a ter a mesma aparência que a velhinha», pensei eu. Este homem passou pela senhora, deu uns passos lentos, virou-se para trás e olhou-a. Ficou ali alguns segundos a observar a velhinha! Foi então que decidiu meter a mão no bolso das suas calças rotas. Tirou de lá uma boa moeda e depositou-a no caneco pelas costas da velhinha. Esta pôs-se a olhar à sua volta, tentando perceber quem lhe tinha oferecido a primeira moeda do dia. Olhou, mas só encontrou a cara simpática do seu colega de rua que fez uma expressão de que não precisava daquela moedinha! Fez então uma cara de grande admiração, e logo balbuciou: «Oh-o-obrigada!». A mulher ficou pasmada! E eu só pude sorrir ao assistir a esta cena tão... ternurenta!

De facto o dinheiro pode ser dispensável a qualquer um de nós, especialmente para estes momentos em que o Natal pode ser quando o Homem quiser.


Boas Festas!

1 comentário:

Anónimo disse...

Arranjar-lhe um trabalho seria mais ternurento mas como a moeda veio de outro sem abrigo acabar por ser o gesto mais ternurento possivel...